quinta-feira, 21 de setembro de 2017

BA2 OTA - JURAMENTO DE BANDEIRA DA ER 3ª./71


JURAMENTO DE BANDEIRA E ENTREGA DE DIPLOMAS
B.A. Nº. 2 – OTA – 17/DEZEMBRO/1971
Juramento de Bandeira da Escola de Recrutas 3/71
SOLDADOS RECRUTAS JURARAM BANDEIRA NA B. A. Nº. 2

Na Base Aérea nº. 2 (Ota), realizou-se no dia 17 de Dezembro de 1971 o juramento de bandeira dos soldados cadetes do curso de oficiais milicianos técnicos, de oficiais milicianos pilotos aviadores, de sargentos milicianos pilotos e dos soldados alunos recrutas especialistas da Escola de Recrutas 3/71.
A fim de presidir à cerimónia, deslocou-se àquela Unidade o Secretário de Estado da Aeronáutica, brigadeiro Pereira do Nascimento, que estava acompanhado pelos Subchefes do Estado-Maior da Força Aérea, general Norton Brandão e brigadeiro Braz de Oliveira; pelos Directores dos Serviços de Instrução, do Pessoal, de Infraestruturas, do Material e da Saúde, brigadeiros Diogo Neto, Cunha Cavadas, Santos Dias, Sousa Oliveira e Lemos de Meneses, respectivamente.  
Depois de passar revista à guarda de honra, comandada pelo capitão Sengo, o Secretário de Estado da Aeronáutica e as restantes individualidades presentes dirigiram-se para a tribuna.
A iniciar as cerimónias, usou da palavra o comandante da Unidade, coronel Brochado de Miranda, que pronunciou o discurso que noutro local inserimos.
A preceder o acto de juramento, o comandante do Grupo de Instrução, tenente-coronel Raul Tomás, leu uma exortação dirigida aos soldados cadetes e aos soldados recrutas, que arquivamos também nas nossas colunas.
Em seguida o tenente-coronel Raul Tomás leu a fórmula do juramento que foi repetida em uníssono pelos soldados recrutas.
Seguiu-se a entrega de diplomas e prémios feita pelo Secretário de Estado da Aeronáutica e pelos Subchefes do Estado-Maior da Força Aérea, finda a qual se realizou o desfile perante a tribuna. A encerrar as cerimónias houve demonstrações de instrução militar. 

ALOCUÇÃO PROFERIDA PELO COMANDANTE DA B.A.2
JORGE MANUEL BROCHADO DE MIRANDA
Cor. Pil. Aviador
“O recinto amplo e aberto em que nos encontramos, que ora serve de estacionamento para aeronaves, ora de parada a luzidas formaturas de impávidos mancebos, acolhe hoje também, como é usual, os ascendentes mais próximos de cada um, que sempre se aprestam a envolver-nos com o calor afectuoso da sua presença e que acolhemos com a maior simpatia. 
Para presidir a esta cerimónia e a testemunhar a sua importância digna-se estar presente Sua Excelência o Secretário de Estado da Aeronáutica a quem dirijo as mais efusivas saudações devidas pela elevação que confere a este acto solene.
É-me particularmente grato saudar também todas as entidades oficiais que vindas de longe ou de perto aceitaram associar-se à cerimónia.
Perante nós, um punhado de rapazes ainda há pouco desconhecidos uns dos outros, procedentes dos mais diversos lugares do Mundo Português onde se respeitam costumes variados, que saíram de diferentes camadas sociais, que pertencem a raças e professam religiões distintas, que possuem níveis culturais algo díspares.
A sua reunião debaixo de uma forma comum de vida, sujeitos ao mesmo trato e disciplina, já cimentou laços de amizade e constitui uma excelente escola de convivência e de compreensão recíproca, uma escola de aperfeiçoamento moral.
Ao longo de toda a sua vida irão recordar certamente o dia de hoje e os seus primeiros dias de militares, quando deixaram a tutela paterna e os confortos do lar para assumir a responsabilidade total dos seus actos e submeter-se a uma nova autoridade.
Autoridade esta que não é mais rigorosa e inflexível do que qualquer outra, embora se pense o contrário, porém mais firme e mais equitativa e por isso mais justa. Aliás, como toda a autoridade, é baseada no respeito, que é a sua essência. Quem obedece respeita-se a si próprio tanto quanto respeita aquela a quem obedece.
O que é o Juramento que dá o nome a esta cerimónia?
Em voz alta e em uníssono os soldados recrutas aqui presentes irão repetir algumas palavras que, embora com o decorrer dos tempos tenham variado na forma, encerram todavia uma mesma intenção de servir a Pátria em quaisquer circunstâncias.
“Assim o prometemos” eram as palavras antigamente proferidas pelos recrutas quando se lhes perguntava se prometiam cumprir juramento cuja fórmula então acabara de ser lida. E o capelão rogava a Deus para que o soldado não fosse perjuro.
 Hoje o soldado é parte mais activa no Juramento. Juro por Deus ou em consciência conforme a sua crença. Jura e repete cada uma das palavras que constituem a fórmula actual que ainda recentemente foi alterada adaptando-se assim à evolução do indivíduo e da sociedade.

Palavras singelas, mesmo triviais, mas que sendo proferidas em ambiente solene onde se criou o necessário clima de emoção, perante a Bandeira Nacional, perante altas entidades oficiais, perante parentes e amigos e, através da imprensa, da rádio e da televisão, perante o País inteiro, assumem o seu inteiro significado, de tanto valor quanto aquele que cada um dá à própria vida. Em conjunto tomam a forma de um compromisso de honra que a todos vincula ao serviço da Pátria e das suas instituições.
A envolver este acto solene, para que não seja breve e ganhe em brilho e colorido, iremos assistir à distribuição de prémios aos alunos que mais se distinguiram em actividades escolares ou actividades puramente militares a ainda ao desenrolar de alguns exercícios de ordem unida e outros algo espectaculares. Aqueles, são exercícios simples, tradicionais, que poderão à primeira vista parecer obsoletos na época actual. Todavia são ainda as formas tradicionais de treino, exercícios de ordem unida em parada, que desenvolvem instintos que vêm naturalmente à superfície quando em acção.
As tropas, mesmo na era das armas nucleares, que não obedeceram instantaneamente aos seus chefes, que não reagem instintivamente a uma voz de comando ou que não permanecem firmes em parada não saberão obedecer nem permanecer firmes em combate.
Este é o momento que marca o início de uma carreira de piloto ou especialista da Força Aérea. Ireis servir a Pátria de armas na mão ou em apoio de quem as opera, na execução de missões operacionais ou de serviços que são essenciais para manter em movimento a máquina altamente especializada que é a Força Aérea. E quando terminardes o tempo de serviço a que vos obrigastes, se não for vosso desejo continuar a servi-la, não direis que este foi tempo perdido, pois estareis mais aptos a servir o país.
A Força Aérea sente-se satisfeita por lançar anualmente na vida civil várias centenas de homens melhor treinados para abraçar as oportunidades que se lhes oferecem de participar no progresso do país. Homens que, além de terem adquirido uma maior capacidade técnica, intelectual, física e moral adquiriram também hábitos de disciplina, uma personalidade reforçada, maior compreensão e respeito para com os demais e uma consciência de colectividade nacional.”

EXORTAÇÃO ALUSIVA AO JURAMENTO DE BANDEIRA PROFERIDA PELO COMANDANTE DO GRUPO DE INSTRUÇÃO – Ten. Cor. Raul Lourenço Tomás
Manhã de 17 de Dezembro de 1971
“Soldados-Cadetes e Soldados Alunos Recrutas:
Nesta pequena, mas grande parcela de solo nacional, estais aqui, perante uma cerimónia simples, como tudo o que é belo, mas grandiosa pelo alto significado que ela encerra – Juramento de Bandeira.
Este acto, grito de triunfo e de vitória, hino admirável às virtudes rácicas, alimenta a chama ardente do patriotismo no peito português de todos nós, glorifica e enaltece o esforço despendido e revigora o respeito de si próprio levado até à mais pura elevação de espírito e à paixão mais ardente.     
Estais assim, perante o dever mais sagrado para com a Pátria, que é servi-la com as armas.
Pátria, numa comunidade de almas no mesmo ideal nacional, com igual forma de sentir, de ver, de pensar e de agir, e em que todas as vontades convergem e as sociedades atingem o mesmo objectivo elevado e honroso.
É uma unidade geográfica, de raça, de língua, e de credo alicerçadas numa consciencialização de todos, mesmo quando ameaçada a sua integridade.
Foi por superiores imperativos de alto destino histórico nacional que a Nação inteira com todos os seus valores se lançou outrora para além dos mares. Criou ciências, desfez lendas, descobriu terras, e procurou contacto amigo com homens de outras raças, a ensinar verdades eternas e assentar em bases novas e certas a missão de sacrifício pelo bem comum, que um povo civilizado assume, quando se lança no ideal de cristianizar populações atrasadas em cultura e paralisadas no progresso.

Portugal tem direitos soberanos em terras distantes, e a vontade indomável, a espada firme e a recta justiça dos seus verdadeiros filhos, serão a garantia plena de continuação de uma obra nacional que é secular, que nos honra, que nos engrandece e que será eterna, pois foi legada pelos antepassados, e será mantida no futuro por todos nós, onde nunca deverá faltar a coragem e bravura, a solidariedade e dedicação, a obediência e disciplina, a subordinação e respeito, a lealdade e abnegação, a honra e o valor.
Vai proceder-se à ratificação do vosso Juramento de Bandeira.
Jurai com fé inabalável, com profundo entusiasmo de todo o coração de jovens que sois, com confiança no fortalecimento da Mãe-Pátria onde todos se possam sentir amigos e felizes. Senti bem dentro de vós o significado deste vosso acto.

O Juramento à bandeira nacional é o compromisso a um símbolo aglutinador de todas as virtudes, é a exemplificação dos esforços e dos anseios de uma gente crente e boa, é o penhor sacrossanto em volta do qual se congregam as mais sagradas aspirações. É assim um elo que liga o passado ao presente como unirá este ao futuro e imortaliza a gesta heróica dos Descobrimentos, amparando e incentivando heróis que ocuparam e evangelizaram novos mundos. Foi assim desde Ourique ao Rovuma, desde as primeiras pedras de Ceuta às jornadas gloriosas que abriram à civilização as novas Províncias Sagradas; desde as primeiras lutas até à independência; durante os oito séculos vividos à sua sombra protectora, sempre as cinco quinas, com seus besantes de prata, drapejaram altivas neste céu sereno, sob a protecção de Deus para Glória dos homens, como plena afirmação da confiança de um povo.
Que este acto sirva para manter bem vivo e perene na nossa geração, o mesmo acrisolado e Santo amor, o mesmo espírito de sacrifício, que à Bandeira Nacional votaram sempre, em todos os tempos os portugueses de todas as cores e de todos os Continentes.

É assim que em Portugal se procede num Juramento à Pátria”.  

Notas: Recolha de informação na Revista “Mais Alto” nº. 153 – JANEIRO DE 1972
           
Até breve
    
O amigo
 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

RECUPERAÇÃO DO ALOUETTE III 9306

Dia 5 de Janeiro do ano de 1973.
O Puma estacionado na chana - foto de Roberto Firth Alves










Tínhamos descolado do Ar-Luso, no SA-330 Puma, 9511, com destino ao Lutembo, com a missão de tentar resgatar o Alouette 9306, pilotado pelo Alf. Pil José Folgado, que ao ter sido atingido, pelo fogo inimigo, num pé, aterrou de emergência na chana.
Ainda estava com o pensamento do dia e noite anterior, em que o nosso Comandante da Esquadra 402 Saltimbancos, Cap. Pil Custódio Santana, foi atingido violentamente pelo fogo do IN, e aterrou na chana, com o MMA João Dias, que ia como apontador do canhão, e , termos andado toda a noite, à procura do pessoal da FAP, pelas Repúblicas, restaurantes, bares, para os levar ao hospital militar para fazerem a doação de sangue, que era necessário, face à operação que estava a decorrer, na tentativa de lhe salvar a vida.
Com estes pensamentos vivos, e já a pensar no que ia encontrar na chana aterramos no Lutembo, com cerca de 01:50 de vôo.
Mudei a ferramenta e tudo o que levava para o Alouette III , n°9365, pilotado pelo Ten. Mário Jordão,e com o Sar.Pil. José Ramos, lá seguimos para a chana num vôo de 00:15m, onde avistei os dois Alouette III.
Aterramos, retirei tudo o que levava, e fiquei com o Sar.Pil Ramos na chana, o Ten.Pil Jordão descolou e manteve-se por ali no ar a baixa altura, não fossemos atacados pelo inimigo, embora tivéssemos a protecção da 37ª Companhia de Comandos.Lá chegamos junto ao helicóptero do Folgado, estando mais à frente o Alouette aterrado de lado com o canhão a apontar para o céu, do Cap.Santana e do MMA Dias.
Alouette do Cap. Santana e o do Alf. Folgado - fotos de Manuel Cura e António Nabais
Comecei a verificar os estragos, que eram muitos, mais de 180 perfurações de impactos directo.
Os buracos das pás tinham tal dimensão que cabia lá a minha mão fechada, feitos por armas antiaéreas, segundo informação do pessoal da 37ª.CC.
Depósitos de combustível e do óleo perfurados em várias zonas, BTP com dois apoios partidos, e carenagens destruídas.
Comecei a pensar que era uma missão impossível, retirar o Alouette da chana, e chegar ao Lutembo.
Mas lá meti mãos à obra e comecei a introduzir desperdício nos buracos das pás e com fita adesiva lá os tapei todos.
A chuva continuava a cair copiosamente, não estivéssemos no Leste de Angola.
Remendei como pude o depósito do óleo e combustível para levarem o suficiente para chegarmos ao Lutembo.
Com o fio de frenar lá amarrei os dois suportes partidos da BTP, o melhor que pude, bem como algumas carenagens.
Fiz o abastecimento de combustível e óleo e não apareceram sinais de fuga.
Tomamos o nosso lugar, o Ramos iniciou os procedimentos de marcha do motor, a turbina arrancou e com o seu silvo característico estabilizou sem problemas, mas já se notavam as vibrações.
Com o inicio da descolagem as vibrações aumentaram e começamos a ter a sensação que o Alouette se desintegrava. Num vôo de 00:15 m, demorámos 00:30 m, sempre com a sensação que não chegávamos ao Lutembo tal as vibrações que se avolumavam, mas lá aterrámos junto ao quartel e não na pista. Sempre acompanhados pelo Ten. Jordão no outro Alouette.
Quartel do Lutembo - foto de Militão Candeias

Quando saímos do helicóptero, parecia que tínhamos nervoso miudinho tal o efeito das vibrações no nosso corpo.
Completamente encharcados lá fomos beber umas "bjecas" no bar do exército.
Mais tarde chegaram as pás, BTP, depósitos e outro material, o Alouette foi reparado e levado para o Ar Luso.
Missão difícil, mas com o dever cumprido, este trabalho foi agraciado com um louvor, mas essa é outra história para ser escrita outro dia.
Esta é uma breve historia do Sarg.MMA Franklin Santos.
E com a participação do Sarg.PIL José Ramos.

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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

TANCOS, O MODO E O TEMPO!

Quando em Abril de 1974 aconteceu a revolução que viria a transportar-nos para o regime político que hoje vivemos, Portugal travava nas longínquas terras Africanas uma guerra em três frentes.

As Forças Armadas Portuguesas (FAAs), tinham ao tempo nas suas fileiras um estrondoso número de duzentos e quarenta e três mil homens em armas. Digo homens, porque as mulheres, exceptuando o honroso Quadro de Enfermeiras Paraquedistas, não integravam as fileiras.
Hoje ano de 2017 as (FAAs) têm nas suas fileiras vinte e oito mil militares.
O diferencial tem como razão principal o fim da guerra em África, com a consequente alteração do dispositivo por um lado, e por outro, o fim do Serviço Militar Obrigatório (SMO).
As praças actualmente existentes nos três ramos das (FAAs),são contratadas em regime de voluntariado, tendo uma missão muito específica comparativamente àqueles que serviam no (SMO).
A propósito do (SMO), convém relembrar que jovens oriundos do mundo rural, sem frequência escolar, vinham às fileiras tendo a organização militar por razões que se prendiam com a sua missão, o dever de lhes ministrar conhecimento no âmbito da personalidade e carácter.
Quantos chegavam para «ASSENTAR PRAÇA» como ao tempo se dizia, alguns sem saber ler, sem nunca ter visto o mar, sem nunca ter viajado de comboio e muito menos de avião.
A instituição militar procedia à moldagem e ao ensinamento!
Muitos fizeram a quarta classe enquanto cumpriam o serviço militar obrigatório!
Muitos obtiveram a carta de condução enquanto cumpriam o serviço militar!
Muitos aprenderam profissões que nem sabiam existir!
Aprenderam a ser rigorosos e cumpridores!
Aprenderam regras de respeito e disciplina!
Aprenderam a ser pontuais!
Aprenderam a andar devidamente ataviados!
Para além do que precede e é muito, cumpriam a missão de cidadania, jurando defender a Pátria, mesmo com o sacrifício da própria vida.

Aqui chegados, surge pois a confrontação da missão das (FAAs),no contexto externo face a compromissos internacionalmente assumidos, que projetam o nome de Portugal para vários continentes.
Temos responsabilidades internacionais assumidas!
UNIÃO EUROPEIA
NATO
NAÇÕES UNIDAS
CPLP
Os nossos militares têm percorrido os difíceis caminhos do Afeganistão, Kosovo, Líbano, Bósnia, Chade, Congo, França, Mali, Iraque, Timor Leste, entre outras paragens, numa perfeita e reconhecida projecção externa de Portugal e do seu povo.
Com o cumprimento destas missões, as (FAAs), têm ainda a missão primária de internamente ser um pilar essencial da Defesa Nacional, constituindo a estrutura do Estado, garantindo a defesa militar da República.
Findo o (SMO),em 2004 como atrás referido, as unidades e estabelecimentos militares ficaram espoliados da mais valiosa e vital componente, aquilo que agora se designa de recursos humanos.
Não existe o Quarteleiro, não há lugar para o Plantão, Faxinas nem vê-los, Sentinelas onde estão? As unidades ao fim de semana estão completamente vazias, apenas se verificando a presença do pessoal de serviço. Verifica-se nesses dias a movimentação de viaturas civis pertencentes a empresas que tratam da alimentação, dos bares, das limpezas e calculem, nalguns casos, a segurança de estabelecimentos militares.
Já vai longa e maçadora esta introdução, mas acreditem que estou quase a chegar a Tancos, para descrever o cenário acontecido.

PARA QUEM SE LEMBRA:

SENTINELA NO POSTO DE VIGIA:
SENTINELA AVISTA UM VULTO!
SENTINELA ARMA EM RISTE E BALA NA CÂMARA!
SENTINELA AVISA: QUEM VEM LÁ FAÇA ALTO!
VULTO RESPONDE: A RONDA!
SENTINELA MANDA AVANÇAR AO RECONHECIMENTO!
VULTO AVANÇA!
SENTINELA MANDA PARAR!
SENTINELA PEDE SENHA!
VULTO INDICA A SENHA!
SENTINELA MANDA AVANÇAR!
RONDA PEDE CONTRA SENHA!
SENTINELA E RONDA JUNTAM SE E CONVERSAM!
RONDA INTERROGA DA SEGURANÇA!
SENTINELA INFORMA TUDO NORMAL!
RONDA DESPEDE-SE COM VOTOS DE BOA GUARDA!

O posto de vigia, a sentinela e a ronda estão sintonizadas no objectivo comum!
Não teriam «voado» disparadores de tração, granadas, granadas antitanque, explosivos plásticos, iniciadoresIKS, lâminas KSL, munições de 9mm, bobinas de fio, disparadores de tração lateral etc, se um sistema de segurança como o descrito estivesse activado!
A defesa como função de soberania tem vindo a ser descurada. Face aos factos, construindo uma legislação flexível, por forma a salvaguardar carreiras profissionais ou académicas, não seria desejável para bem do País e dos nossos jovens, reintroduzir o Serviço Militar Obrigatório?

COMO FOI POSSÍVEL CHEGAR AQUI?
Os Governantes dos vários governos nunca viram com bons olhos os militares, aqueles que lhe deram o poder em bandeja de prata. Oriundos das «jotas», nunca tiveram necessidade de fazer recruta e especialidade, nunca participaram no «render da parada”, nunca fizeram reforço nem rondas, não precisando de fazer juramento perante a Pátria.
Quando aos militares em missões de paz projectam garbosamente o nome de Portugal, os políticos aparecem para colher louros, pouco lhe importando com a forma e o profissionalismo como tal acontece.
Assim sendo, vão cortando nos orçamentos, vão reduzindo no pessoal numa postura de total alheamento, relativamente às dificuldades da instituição militar.
Os políticos têm a maior parte das responsabilidades do que em Tancos se passou!
O Senhor Ministro da Defesa fica novamente mal na fotografia. Quem não se lembra de uma polémica originária do Colégio Militar que obrigou um General muito prestigiado a demitir-se. Falo do Senhor General Carlos Jerónimo. Está mais que provado que este Ministro da Defesa não tem perfil adequado à função que desempenha, devendo ponderar a sua continuidade governativa.
QUANTO AOS MILITARES RESPONSÁVEIS PELA SEGURANÇA DOS PAIÓIS:
No que às responsabilidades operacionais diz respeito, começo por discordar da diluição do conceito de protecção aos paióis, repartida entre os cinco Comandantes de Unidades possuidoras de armamento no mesmo local.
Este modo contraria o princípio de comando único o mais desejável em situações como a presente.
Como é possível sem câmaras de vigilância nem guardadores de proximidade, passarem vinte horas sem qualquer ronda?
Qual dos Comandantes reportou, se reportou, a inoperatividade do sistema de vigilância?
Qual dos cinco Comandantes assumiu ou assume a responsabilidade da falta de pessoal para manter a segurança próxima e a fragilização operacional das rondas?
Algum dos cinco Comandantes pôs o lugar à disposição, face ao facto de não possuir condições de guarda de algo tão importante como os paióis nacionais de Tancos?
O Senhor General Chefe do Estado-Maior do Exército tem poder para demitir ou suspender todos os seus subordinados. Creio como primeiro responsável por tudo o que se passa no Exército Português, tendo em conta a gravidade de Tancos, poderia e devia fazer um exercício introspectivo que certamente o levaria a reflectir sobre a continuidade ou não nas funções.
Estou em fim de texto e neste momento tomo conhecimento da demissão de dois Generais do Exército. As coisas complicam-se!

Por:









(Ten Coronel na reforma)

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

UMA EXTRAORDINÁRIA COINCIDÊNCIA

"Aviador" junto do 1789 - foto do próprio


Em 1969 encontrava-me no Luso, Leste de Angola, a prestar serviço militar como Alferes de Infantaria com a especialidade de operações cripto (CHERET). Chefiava um posto de escuta situado nas imediações da cidade mas sempre que podia ia até ao aeroporto "ver quem chegava". 
O acidente de19 Julho de 1969
Numa dessas ocasiões fiz-me fotografar junto de um North American T6 da Força Aérea Portuguesa, tendo em fundo um Nord Atlas também da FAP. Até então nunca me tinha passado pela cabeça que um dia viria a tornar-me piloto de aviões; a pose era só mesmo para a fotografia.
O curioso é que dias depois desta imagem ter sido registada este mesmo T6 (1789) sofreu uma avaria e aterrou de emergência algures no meio do mato. O piloto e o mecânico sofreram apenas ferimentos ligeiros mas era urgente resgatá-los por se encontrarem em zona de guerra. Ambos viriam a ser recuperados por uma força de paraquedistas no dia seguinte.
Para acompanhar a situação foi montado um gabinete de crise no Quartel General da Zona Militar Leste que eu viria a integrar na condição de responsável local da CHERET. Foi aí que fiquei a saber que o piloto do T6 se chamava Emanuel Lorena.
Emanuel Lorena (ao centro) no Luso em Agosto de 1969 - foto de Gonçalo de Carvalho
Anos mais tarde, no início da minha carreira como piloto da TAP, fui escalado para fazer um voo qualquer em Boeing 727. E quem era o comandante desse serviço? Esse mesmo, o Emanuel Lorena.
A vida dá cada volta...

NOTA - Podem ler o relato desta operação no interessantíssimo blogue do Clube de Especialistas do AB4, aos quais desde já agradeço a colaboração.
https://ab4especialistas.blogspot.pt/2015/04/acidente-do-t6-1789-ii.html

O Aviador

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

MUITO PERTO DA MORTE


Acabados de chegar à Vila de Gago Coutinho, hoje Lumbala N’Guimbo, uma das primeiras operações do pelotão a que eu pertencia, foi a de ir efectuar protecção à JAEA (Junta Autónoma de Estradas de Angola) cuja equipa era chefiada, naquela zona, pelo célebre “Samuapa” encarregado de equipa da JAEA, pessoa altamente disciplinadora e muito temida por quem com ele trabalhava.
A equipa do “Samuapa” estava a reparar uma ponte de madeira que tinha sido parcialmente queimada pelo inimigo (MPLA).
Para os militares, o serviço de protecção aos trabalhos da JAEA era considerado como “um certo repouso”, pois limitava-se a que, durante as horas de trabalho, estivessem nas orlas da mata a fazer a respectiva segurança. 
O problema principal era o do alojamento que, na maioria das vezes, era bastante precário, pois, ou era em casas abandonadas e em ruínas, ou em tendas, como foi neste caso.
Juntamente com o pelotão estava, como reforço, um grupo de uma dúzia de “Flechas” (como era designada a tropa africana recuperada ao IN) que se encontrava igualmente sediada em Gago Coutinho e cuja actividade era coordenada pela Pide.
As obras de restauração da ponte decorriam com alguma normalidade.
Os estragos eram razoáveis e quando queimaram a ponte, os “tipos” deixaram lá uma mensagem escrita em papel, a qual dizia mais ou menos isto: “estas pontes de madeira já não se usam, substituam-na por uma de betão” (além de “chatos” os “tipos” eram exigentes!).
Estava tudo a andar nos conformes até que num belo dia, ao anoitecer e quando o pessoal já se estava a preparar para a segurança dessa noite com o gerador da JAEA ligado para iluminar o acampamento, começamos a ouvir um barulho de um helicóptero no ar.
Desligou-se o gerador, ficou tudo às escuras e o héli começou a andar ali às voltas no ar com todo o pessoal de G3 apontada ao héli, até que se ligou novamente o gerador e o alferes ordenou aos condutores para ligarem os faróis dos Unimog’s e apontarem as luzes para a picada, onde o héli acabou por aterrar.
Nós sabíamos que os helicópteros estavam proibidos de levantarem voo a partir das cinco horas da tarde, já que não possuíam instrumentos de navegação nocturna, nem as pistas existentes no mato tinham iluminação.
Aconteceu que o alferes-piloto levantou voo, para proceder à evacuação de dois soldados dos comandos, já depois da hora permitida.
Anoiteceu, perdeu-se, já estava quase sem combustível e foi um milagre ter encontrado ali o nosso acampamento, pois, caso contrário, teria que aterrar no mato e lá passar a noite.
Esta situação causou-nos alguma perplexidade, à mistura com um grande susto, já que era completamente inesperado ver um “bicho” daqueles voar à noite e, por momentos, chegamos a pensar que íamos ser atacados pelo helicóptero.
Para o piloto, cabo especialista e para os dois feridos que, por sinal, até nem tinham nada de grave, foi uma sorte dos diabos, pois a rota para Gago Coutinho nada tinha a ver com o local onde nos encontraram.
O enfermeiro lá deu uma ajuda aos feridos e o alferes-piloto mais o cabo especialista apanharam uma grande “moca” pois, segundo eles, não se podiam ir deitar sem comemorarem a nossa inesperada recepção.
O radiotelegrafista mandou uma mensagem informando que o héli estava estacionado no nosso acampamento, o qual ficava a cerca de 70 km de Gago Coutinho, local onde se encontrava o destacamento da FAP e o comando militar, tendo igualmente solicitado o envio urgente de gasolina para o helicóptero.
No dia seguinte, após ter chegado a coluna com o combustível, o héli lá regressou a Gago Coutinho, sem que antes o piloto se viesse despedir muito efusivamente de todos nós.
As obras de recuperação da ponte continuavam em bom ritmo, até que a chuva apareceu, os trabalhos foram interrompidos e parte do pessoal recolheu às tendas.
Eu também fui para a minha tenda e deitei-me para ler uma revista das selecções Reader’s Digest bastante antiga que alguém me tinha feito chegar às mãos.
Estava eu deitado com as cartucheiras a fazerem de almofada e, só por um mero acaso, não estava com a cabeça encostada ao pano da tenda porque este estava molhado, quando, volvidos alguns minutos, ouço um tiro, mas não liguei grande importância já que era muito frequente haver um ou outro disparo de arma, por descuido de algum militar. No entanto, começo a ouvir vozes que dizem haver um ferido e, logo de seguida, aparece-me o Furriel Frota à entrada da minha tenda e pergunta:
- “Ó Magro, estás vivo?!”
Eu, que entretanto já me tinha sentado, pergunto sobressaltado:
- “Ó pá, o que foi?! O que é que se passa?!”
Responde-me o Frota:
- “Olha para trás, para o pano da tenda!”
Olhei e vi que a tenda estava furada pelo projéctil do tiro que se tinha ouvido no acampamento, havia alguns segundos atrás. 
Continuou o Frota:
- “Um ‘Flecha’, na tenda ao lado da nossa, estava sentado com a FBP (1) em cima dos
joelhos e, talvez por descuido, a arma disparou e a bala atravessou a nossa tenda e foi atingir um outro tipo dos ‘Flechas’ que se encontrava na tenda a seguir e que dormia ao contrário, isto é: com a cabeça para o lado dos pés. Por isso também teve sorte, levou um tiro num pé.”
Eu voltei-me novamente para trás a observar o furo na tenda provocado pelo projéctil, o qual estava a centímetros das cartucheiras que me serviram de almofada e onde eu tinha a cabeça.
Fiquei ali uns minutos a reflectir e a falar com os meus botões:
- “Ias ‘lerpando’ (2) deitado, com um tiro na ‘moleirinha’ e a ler umas selecções muito antigas do Reader’s Digest!”
Entretanto, lá chegou o helicóptero que evacuou o ‘Flecha’ ferido com o tiro no pé.
A ponte, passados mais uns dias, ficou reparada, mas creio que mais tarde voltou a ser queimada, mas já não me calhou a mim ter de ir para lá novamente.
A cada passo, nos encontros de almoços anuais da tropa, lá me vêm alguns soldados recordar, uns da emboscada, outro do susto do helicóptero e outros a lembrarem-se e a dizer-me:
- “Eh pá, e quando você ia ‘lerpando’ deitado a ler?!”

(1) – A Pistola-metralhadora FBP foi projectada no final da década de 1940 por Gonçalves Cardoso, Major de Artilharia do Exército Português e foi produzida pela Fábrica de Braço de Prata (FBP) em Lisboa, com cuja sigla foi baptizada. Foi muito utilizada em África, no início das guerras coloniais, mas, por ser uma arma pouco confiável (em caso de queda, podia dar-se um disparo), deixou de ser usada em termos operacionais. (2) - “Lerpar”, termo usado no jogo da Lerpa, muito praticado pelos militares, jogo a dinheiro, muito simples no qual era tirada uma carta que era o trunfo, cada jogador tinha três cartas e quem fosse a jogo e não fizesse nenhuma vaza, “lerpava” e colocava na mesa o valor correspondente ao dinheiro em jogo que se encontrava na mesa.


Por: Rogério Alberto Valente Magro

ex-Fur. Milº Atirador de Infantaria CCAÇ 1719
Angola - 1967/1969 


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

BA2 OTA - JURAMENTO DE BANDEIRA DA ER 2ª./71 E BA3 - TANCOS ENTREGA DE BREVETS PH

















JURAMENTO DE BANDEIRA E ENTREGA DE DIPLOMAS
B.A. Nº. 2 – OTA – 27/AGOSTO/1971

Juramento de Bandeira da Escola de Recrutas 2/71

As Forças em parada em continência à Bandeira






Em 27 de Agosto de 1971 realizou-se na Base Aérea nº. 2 a cerimónia do Juramento de Bandeira dos soldados cadetes do curso de oficiais milicianos pilotos aviadores 1/71, de soldados alunos do curso de sargentos milicianos pilotos 1/71 e de soldados alunos recrutas especialistas 2/71, efectuando-se também a entrega de diplomas aos  soldados cadetes alunos que terminaram os cursos de formação.
Presidiu às cerimónias o
subchefe do Estado-Maior da Força Aérea, brigadeiro Braz de Oliveira, que estava acompanhado pelo brigadeiro José André da Silva, director do serviço de Intendência e Contabilidade, pelo coronel para-quedista Alcino Ribeiro, da Direcção do Serviço de Instrução, pelo coronel médico Fernandes Tender, da Direcção do Serviço de Saúde e outros oficiais. Depois de passar revista à guarda de honra, comandada pelo capitão Sengo, o brigadeiro Braz de Oliveira e os restantes oficiais dirigiram-se para a tribuna de honra.
A iniciar as cerimónias, usou da palavra o comandante da Base Aérea nº. 2,
coronel Brochado de Miranda, que pronunciou o discurso que mais abaixo publicamos. A preceder o acto do juramento de bandeira, o alferes Salvador proferiu uma alocução alusiva ao acto. A fórmula do juramento foi lida pelo tenente-coronel Raul Tomás, que comandava a formatura em parada, sendo comandante do Grupo de Instrução o major Noronha. Seguiu-se a entrega de diplomas e prémios, finda a qual as forças em parada desfilaram em continência perante a tribuna de honra. A encerrar houve demonstrações de manejo de arma a pé firme em marcha e de luta individual.
Cor. Brochado de Miranda
A abrir a cerimónia, o comandante da Unidade, coronel Brochado de Miranda, leu o seguinte discurso:
“Vestiu-se de galas a Base Aérea nº. 2 para realizar condignamente mais uma cerimónia de Juramento de Bandeira. Vestiu-se de galas para honrar altas entidades oficiais e para acolher convidados e visitantes. Uma vez mais tenho eu o privilégio de saudar Vª. Exªs. e de lhes apresentar cumprimentos de boas vindas.
O estandarte da Unidade sai hoje do recolhimento em que normalmente repousa, em lugar de distinção, para, às mãos de quem este ano foi distinguido com a honrosa missão de Porta-Bandeira, se postar em frente da formatura geral da B.A.2 e, como símbolo e imagem da Pátria, receber um compromisso de honra de várias centenas de jovens militares da Força Aérea.
Foi ainda há poucas semanas que estes rapazes se apresentaram. A instrução que até agora lhes foi ministrada teve por finalidade essencial enquadrá-los num conjunto onde se procurou desenvolver a capacidade individual de resistência ao esforço físico, estimular a vontade para vencer dificuldades e interesses pessoais e, paralelamente, excitar o espírito de solidariedade. 
O que atraiu ou porque vieram servir na Força Aérea?
Pelo interesse na carreira militar?
Pela possibilidade de associar, à obrigatoriedade de prestação de serviço militar, a aquisição de conhecimentos úteis à sua formação ou valorização profissional?
Ou simplesmente para, frustrados os intentos de prosseguir na sequência normal de estudos, cumprir o serviço militar em circunstâncias que julgam menos rudes ou mais isentas de perigo?
Ou ainda em busca de correcção para desvios por caminhos errados ou para carência de autoridade familiar?
Distribuição de prémios aos soldados alunos que se distinguiram

Não é oportuno neste momento dar resposta às interrogações. O certo é que, seja qual for o motivo, todos eles são elementos da Força Aérea que interessa bem treinados. A sua instrução merecerá pois os mais diligentes cuidados, dedicando-se a partir de agora maior atenção ao indivíduo do que ao grupo. Porque a nossa missão não é só a de ensinar a combater adversários, mas também a de ajudar cada um a descobrir-se a si próprio, a saber suportar responsabilidades, a respeitar a autoridade, a desenvolver e armazenar energias morais.
Nas formalidades que se vão suceder não encontraremos somente o acto do Juramento, que dá o nome à cerimónia. Para que tudo não decorra com demasiada rapidez e com o propósito de que a lembrança do momento se não esvaia facilmente da memória de cada um, entendemos cercá-lo de ornamentos e colorido que, guardando-se todavia o ambiente de solene seriedade, lhe não tirem a importância mas lhe realcem o significado. É o que iremos encontrar no aprumo e altivez das tropas em parada; na sua atitude firme e perfilada; no atavio; nas evoluções coordenadas em exercícios sincronizados; no som galvanizante da marcha cadenciada; na distribuição de diplomas, prémios e felicitações…
Ajuda-nos o dia, o ambiente e o local.
Faço votos para que guardem bem presente uma recordação viva desta ocasião e desejo a todos as maiores felicidades.” 

NUMEROSO CURSO DE PILOTOS DE HELICÓPTEROS RECEBEU “BREVETS”

BASE AÉREA Nº. 3 – TANCOS – 14/OUTUBRO/1971
Tradicional foto de fim de curso

Na Base Aérea nº. 3 (Tancos) realizou-se no dia 14 de Outubro de 1971 a cerimónia do brevetamento de 32 pilotos de helicópteros, que constitui um dos mais numerosos cursos dos últimos tempos. 
Cor. Ferreira Valente
Presidiu o Secretário de Estado da Aeronáutica, brigadeiro Pereira do  Nascimento, que estava acompanhado pelo Director do Serviço de Comunicações e Tráfego Aéreo, brigadeiro Jorge Noronha, e pelo Director do Serviço de Instrução, brigadeiro Diogo Neto.
Ao chegar à Base Aérea nº. 3, o Secretário de Estado da Aeronáutica recebeu os cumprimentos do comandante da Unidade, coronel Ferreira Valente, dirigindo-se depois para a tribuna de honra, junto da qual o aguardavam os oficiais que prestam serviço na BA3.
A iniciar as cerimónias, o coronel Ferreira Valente pronunciou algumas palavras.
Em seguida, os instrutores colocaram no peito dos seus instruendos as “asas” de pilotos de helicópteros, após o que o Secretário de Estado da Aeronáutica e os oficiais generais presentes entregaram os diplomas aos novos pilotos. Finda a entrega dos diplomas, os 32 novos pilotos desfilaram em continência perante a tribuna de honra, seguindo-se o desfile das forças em parada, comandadas pelo 2.º comandante da Unidade, tenente-coronel Orlando Amaral.

Ao terminar a cerimónia seis helicópteros efectuaram alguns voos de formação, enquanto um se exibia em várias figuras demonstrativas das possibilidades de manobra daquelas aeronaves.
Brig. Pereira Nascimento na entrega de diplomas

No discurso que pronunciou, o comandante da BA 3 teve a ocasião de tecer algumas considerações sobre os cursos de pilotos de helicópteros. Dirigindo-se aos pais dos alunos, transmitiu-lhes felicitações pela vitória alcançada. “Vitória que, quero saibais não ter sido fácil e de que foram eles os principais obreiros, posto que tenha sido prazer e obrigação de funções o amparo que os seus superiores lhes proporcionaram para poderem chegar a este dia, deixando pelo caminho tantos que os não puderam acompanhar na dura escalada que tiveram de vencer”. No final do seu discurso felicitou os alunos do curso a brevetar, tendo palavras de muito apreço pelo trabalho realizado, considerando-os “Um escol que, para mais, teve a viril decisão de escolher cumprir o seu tempo de serviço militar num ramo e especialidades das forças armadas onde relativamente bem poucos têm viabilidade de vencer”. 

 “Capacidade individual de resistência ao esforço físico, estimular a vontade para vencer dificuldades e interesses pessoais e, paralelamente, excitar o espírito de solidariedade.”
Tribuna de honra com o SEA
Notas: Recolha de informação nas Revistas “Mais Alto” nº. 148 – AGOSTO e nº. 149/150 de SETEMBRO/OUTUBRO DE 1971
           

Até breve                                                                                   
O amigo